O virgem do interior de Minas

Sabe aqueles affairs que começam com: “Vou te apresentar meu primo!” ou “Tenho um amigo solteiro ótimo pra te apresentar”? É exatamente assim que essa cilada começa. Uma amiga minha resolveu me apresentar o primo dela. E realmente, o primo é bonitinho, era fofo, responsável. Só que tinha 18 anos. Alguns a menos que eu. A mesma idade do meu irmão, sintam o meu drama. Daí, dei uns beijinhos no mocinho e larguei pra lá.

Nesses tempos de facebook o largar pra lá fica difícil. E eis que o jovem me adiciona no facebook. E a primeira conversa dele foi: “Elle, gostei de ficar com você, quero ficar com você novamente, mas não quero namorar”. Assustei muito! Até porque minha intenção também não era essa.

Na véspera da minha formatura o jovem (vamos dar um nome ao jovem? Alfredo!), o Alfredo, começa a ser mais fofo que o normal comigo. E apesar de minhas amigas alertarem, e de existir uma enorme placa luminosa na testa dele escrito: “CILADA, CILADA, CILADA”, eu fui me apaixonando. Aparentemente eu era correspondida, mas logo vocês vão ver que as aparências enganam.

Alfredo ficou irritado porque não o chamei para a valsa do Amor, chamei um grande amigo meu (Glória a Deus que fiz isso!), mas apesar disso ficamos juntos no baile.

Conversávamos todos os dias, por sms, chat de facebook, e eu sempre chamando-o para algum programa que ele educadamente recusava alegando estar ocupado com a faculdade. Ora, isso era bom sinal, não é? Sinal que encontrei alguém tão nerd e estudioso quanto eu! Doce ilusão…

Eis que chega o carnaval. Eu com um concurso chegando, resolvi ficar quieta em casa. Só que Alfredo me chama para passar carnaval com ele e com a prima dele (que é minha amiga) na cidade dele. Eu inocente, apaixonada, fui! Passamos o carnaval juntos. Ouvindo piadas de que estávamos namorando no carnaval, todos me chamando de “Namorada do Alfredo”, e a gente levando tudo numa boa.

Continuamos conversando virtualmente, e ai eu decidi chama-lo para sair. Só comigo. Como um casal. E ele aceitou. Lembrando que ele tem 18 anos, não tem carteira de motorista e mora em uma cidade vizinha. Ou seja, eu ia dirigindo o carro do meu pai busca-lo na rodoviária.

Fomos em um barzinho, e depois resolvemos esticar. Com muito custo Alfredo dá a entender que queria ir em um motel, e eu com coragem resolvo ir dirigindo ao motel. Não sou machista, não me entendam mal, mas nunca tinha ido eu mesma dirigindo ao motel! E minhas histórias em motel não são as melhores, em breve vocês vão saber mais. Fizemos o que tínhamos que fazer lá, e no fim do ato Alfredo resolve me contar: “Eu sou virgem”.

Sim, minha cara foi essa mesma que você fez agora! Mas você deve estar pensando: “Elle, ele é nerd, tem 18 anos, não saia de casa, seria óbvio a virgindade!”. Não, não era. Ele me dava a entender que já havia feito sexo, e é conhecido como o garanhão da sua cidade natal. E não pensem que é bullying com os virgens, mas é realmente estranho saber que você deflorou alguém! A dica é: contem antes!

Cheguei em casa meio chocada, e ele mandou uns 3 sms falando como foi especial e aquele mimimi todo de primeira vez. E parabéns para mim, ao invés de fugir da relação, EU CAI DE AMORES NO ALFREDO. Igual patinha. Começamos a combinar de viajar juntos para uma cachoeira, dormir juntos, fazer amor e etc.

E aí, veio a minha queda. No fim de semana da nossa viagem romântica eu tive uma entrevista marcada na capital, na sexta-feira. O que significava que não ia poder viajar mais. Contei isso para ele, e como sempre ele me incentivou a ir, ficou feliz e eu fiquei tranquila. Fui. Quando voltei encontrei um Alfredo frio. Que evitava a todo custo falar comigo no facebook, que não respondia mais sms.

Minha ficha foi caindo: “Elle, esse cara não te quer! Sai fora!”. Só que eu estava muito envolvida. Depois de conversar com minhas amigas, e todas elas me fazendo ver a cilada onde eu estava, rezei muito e decidi que não ia procura-lo mais.

Ah se o coração fosse simples como a gente pensa… No dia seguinte Alfredo atualizou seu status no facebook para “em um relacionamento sério”. E a família dele, os meus amigos em comuns com ele, foram falar comigo inbox que estavam muito felizes que finalmente estávamos namorando. Só que não era comigo o relacionamento sério do Alfredo. E isso doeu. Doeu muito. Doeu demais. E eu fui soltar os cachorros com ele inbox. E ele é tão ridículo, tão cafajeste que me respondeu que estava confuso, que não estava namorando. Resolvi ajuda-lo e saí do meio da confusão. Sim, deletei ele do facebook, bloqueei, bloqueei metade da família dele e bloqueei a namorada dele.

Alfredo namora uma jovem de 29 anos atualmente. Joelma. A família dele é contra o namoro, ninguém da cidade gosta muito dela, e ele não está nem aí.

Se a dorzinha no coração sumiu? Não, sumiu ainda não. Mas tomara que seja infarto, porque se for amor…

Elle Bloom

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Cilada no show

Pior do que homem solteiro que não quer se enrolar é homem comprometido que se comporta como solteiro. A espécie complica não só a própria vida, mas a vida das pessoas com quem ele se envolve, ou seja: cilada. Marcos era um bom representante dessa categoria. Namorando com Bárbara há alguns meses era mestre em inventar uma indisposição qualquer aos sábados a noite para cair na balada com os amigos. A namorada- tão doce que dá cárie só de olhar- acreditava em tudo, da dor de cabeça à suspeita de gripe suína. Bom para ele.

Num desses sábados em que o cupido resolve ir trabalhar bêbado, Marcos mais uma vez deu um belo perdido na namorada. Final de show, a maioria do público disponível já tinha se arranjado e, quem tinha ficado sozinho já deveria estar ciente que aquele não era o momento de encontrar alguém porque, né? Final de feira só tem xepa. Mas como na prática a teoria é outra os caminhos de Marcos e desta que vos escreve se cruzaram.

Que fique claro que eu não estava bêbada, mas minha hipermetropia ta aí pra me justificar. Estava com minhas amigas e, de repente, um grupo de rapazes veio até nós. Por essas infelicidades do destino estávamos em pares e eles foram logo se apresentando e partindo para o beijo. Depois daquele charme característico de quem não está bêbada o suficiente, acabamos nos beijando. Eu, solteira, sozinha e carente achei o máximo quando trocamos telefone e fui pra casa torcendo pra ele ser ao menos bonitinho já que no escuro e sem óculos não havia conseguido analisar o meliante.

Qual não foi minha surpresa quando, no dia seguinte meu celular tocou e o número dele apareceu no visor do meu aparelho. Deixei tocar algumas vezes- torcendo pra ele não desistir no meio da ligação- e finalmente atendi. Depois de um “Oi” que de espontâneo não tinha nem a intenção fiquei em choque ao ter como resposta um “Quem ta falando aí?” de voz feminina. Chamem de sexto sentido, intuição, mão divina, o que for, mas eu não respondi meu nome. Desliguei o celular mesmo sem saber que tinha culpa no cartório.

Curiosa com a ligação resolvi conversar com uma amiga que estava no show. Imaginem minha cara quando ela disse “Becky, você ficou com aquele menino que namora a

Bárbara, que mora ali na pracinha”. Não basta ficar com um cara que tem namorada. A namorada tem que ser praticamente sua vizinha. Palmas pra mim!

Nunca fui amiga da Bárbara, mas nos cumprimentamos na rua, nossas mães são colegas e é bem provável que temos alguma foto juntas nessas festas de escola já que fizemos o primário no mesmo colégio. Poxa, com tanta gente no show eu tinha que beijar justo o namorado dela?

O caso é que eu nunca soube se a pegação teria chances de evoluir para algo a mais já que o número continuou me ligando por algumas semanas e eu recusei todas as chamadas (não sei se era ele ou ela quem ligava). Ficar com o namorado da vizinha me gerou alguns inconvenientes do tipo me esconder atrás dos arbustos e bancos da pracinha quando, por coincidência, eles passavam por lá e manter o celular no silencioso sempre que saía de casa. Isso já faz alguns anos e os dois continuam juntos, de casamento marcado. A propósito: sempre a vejo sozinhas nos sábados à noite.

Becky Jones